Lysander Spooner, libertário, fascículo 24


verifiablevotePara que voto secreto? A sua contagem não pode ser verificada pelo eleitor. Em eleição transparente você receberia um recibo com senha para verificar online a contagem do seu voto. Todo e qualquer cidadão teria certeza de que o seu voto foi contado corretamente, sem pianismo e sem fraude. Sem poder conferir, não há certeza de que quem governa realmente foi eleito.

XVIII

Uma vez que nunca ninguém assinou a Constituição; inexistindo também qualquer outro contrato visível, escrito, voluntário e autêntico entre quaisquer que sejam as partes, por força do qual o chamado governo dos Estados Unidos é mantido; sendo também fato consumado que a ninguém, salvo os varões maiores de vinte-e-um anos de idade, é permitido vez ou voz no governo; e sendo também ponto pacífico que grande número dessas pessoas maiores de idade raramente ou nunca exercem o voto; e que todos os que o exercem, o fazem às ocultas (por voto secreto), de maneira a impedir que se revelem os seus votos individuais, seja ao público, seja aos seus pares, e consequentemente de maneira a não responsabilizar a ninguém pelos atos praticados por seus agentes ou representantes.

Sendo tudo isso de conhecimento geral, surgem as questões: Quais os que compõem o verdadeiro poder governamental no país? Quais os homens, os responsáveis, que arrebatam a nossa propriedade? Que restringem a nossa liberdade? Que nos sujeitam ao seu domínio arbitrário? Que arruínam os nossos lares, fuzilando-nos às centenas de milhares se resistirmos? Como encontrá-los? Como podemos distinguí-los dos demais? Como nos defendermos, e às nossas propriedades? Quais dentre os nossos vizinhos , os membros dessa caterva secreta de assaltantes e assassinos? Como saber quais as suas casas, para que possamos incendiar ou demolí-las? Qual a sua propriedade, para que possamos destruí-la? Quais as pessoas, para que possamos matá-las, livrando assim a nós e ao mundo desses tiranos e monstros?

São essas as questões a serem equacionadas para que os homens possam desfrutar da liberdade; para que possam se defender desse bando secreto de assaltantes e homicidas que hoje os espoliam, escravizam e destroem.

A resposta a estas questões é que somente os que têm a inclinação e capacidade de fuzilar aos seus semelhantes, são os verdadeiros governantes neste, bem como em todo outro (chamado) país civilizado; pois não há outros pelos quais uma gente civilizada possa ser assaltada ou escravizada.

Entre os selvagens, basta ser forte o homem para poder rapinar, escravizar ou assassinar a outrem. Na barbárie, basta a força física de um bando de homens para que, agindo disciplinada e conjuntamente, mesmo não dispondo de muito dinheiro ou outra riqueza, possam assaltar, escravizar ou matar a uma outra corporação de pessoas igualmente numerosa ou até maior que aquele. Também entre os selvagens e bárbaros, a bruta necessidade pode às vezes compelir o homem a se vender, como escravo, a outrem. Mas cá entre os (chamados) povos civilizados, onde se difundiram o saber, a riqueza e a ação conjunta; inventores de armas e defesas tais que diminuem a importância da mera força física, aos quais, por dinheiro, serão sempre disponíveis qualquer número de soldados, assim como um sem-fim de aparato bélico, a questão da guerra, e por conseguinte a questão do poder, acaba sendo pouco mais que uma questão de dinheiro. Como consequência inevitável, os que se dispuserem a fornecer esse dinheiro, serão os verdadeiros governantes. Assim é na Europa, e assim cá neste país.

Na Europa, os governantes simbólicos, os imperadores, reis e parlamentos, nem de longe são os verdadeiros governantes de seus respectivos países. Pouco mais são que instrumentos, utilizados pelos ricos para assaltar, escravizar e (quando conveniente) assassinar a todos os possuidores de menos riqueza, ou nenhuma.

Continua no fascículo 25 desta obra de 1870, na ocupação militar…

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